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COMO ABORDAR FAMILIARES COM DEPRESSÃO?

Com o crescimento do número de idosos – a cada ano são 800 mil pessoas entrando nessa faixa no Brasil – aumenta também o número de idosos acometidos pela depressão.

Colaboram para esse aumento a viuvez crescente, as perdas, a falta de opções de lazer, o empobrecimento na velhice e as difíceis relações familiares.

Mas como e o que falar com um pai, mãe ou esposo deprimido? Será que ao invés de incentivá-lo, de ajudá-lo, eu não possa estar tornando as coisas ainda piores? Por essas dúvidas frequentes e pelas situações vivenciadas no consultório, trago hoje esse tema para reflexão.

Falando dessas vivências no dia-a-dia do consultório, o que mais presencio são familiares extremamente incomodados com o estado depressivo do seu parente (o que é normal) e que muitas vezes, ao tentar ajudar, usam frases que despejam culpa no doente, ou mesmo, falam de uma vontade em estar doente: “ele não se ajuda”, “ela sempre faz isso para chamar atenção”. A expressão facial dos idosos deprimidos nesses momentos acaba ficando pior, quando não dão lugar às lágrimas.

Antes de tudo, é interessante que os familiares busquem informações sobre a doença. Entendendo as causas, os sintomas e as formas de tratamento, os familiares poderão ajudar muito, sendo, inclusive, extremamente necessários no processo de cura e prevenção de recaídas. Nessa linha de entender o que é a doença, é importante que os familiares entendam o que se passa na cabeça de quem sofre depressão. Diferentemente de uma pessoa sem a doença, o deprimido pensa, processa as informações de um jeito um pouco diferente, numa lógica  bastante pessimista. É o que Aaron Beck chama de Tríade Cognitiva da depressão, que é o conjunto de crenças negativas que permeiam as ideias do doente:

Sobre si mesmo: autocrítica exagerada, sentimentos de desvalorização, ou seja, uma visão muito ruim sobre a própria pessoa;

Sobre o mundo à sua volta: o pessimismo toma conta em relação a tudo que é tentativa, plano, futuro. Ele tem a certeza de que as coisas não darão certo;

Sobre o futuro: encara como um lugar sombrio devido à antecipação de frustrações, catástrofes e dor.

Além disso há na pessoa com depressão erros de julgamento ou pensamento, onde as mensagens que chegam até ela são interpretadas erroneamente, com exagero e fatalismo.

Por isso a delicadeza do assunto escolhido. Ao, na melhor das intenções, tentarmos motivar um idoso, poderemos facilmente estar passando uma mensagem que em seu pensamento será interpretada como algo que contribua para piorar seu estado geral. Veja um exemplo: “Mãe, a senhora precisa se ajudar” poderá ser entendida como “Sou um transtorno para minha filha. Eu só atrapalho.” por aí vai.

É natural e esperado que nos angustiemos ao ver uma pessoa querida por nós em estado de sofrimento mental, assim como o é que tentemos fazer algo. Só que prestar atenção para detalhes como os mencionados acima poderá fazer toda a diferença. Converse com o médico ou psicólogo. Veja como ajudar.

Dr. Leandro Minozzo - CRM 32053
Mestre em Educação - Clínico Geral - Especialização em Geriatria pela PUCRS
Pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN