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Campanha para desmistificar a incontinência urinária

on 20 Março 2015

A incontinência urinária tem cura e não pode ser considerada um problema, normal atrelado ao envelhecimento das pessoas. “Qualquer pessoa pode ter incontinência urinária,

desde criança, adultos e até idosos”, disse o chefe do Departamento de Urologia Feminina da Sociedade Brasileira de Urologia, Marcio Augusto Averbeck. Março é o mês em que a entidade promove uma série de ações para esclarecer a sociedade sobre a doença.

O objetivo da campanha da Sociedade Brasileira de Urologia, que vai até o fim deste mês, é conscientizar a população sobre o impacto da incontinência urinária para a qualidade de vida, provocando o isolamento das pessoas e até a depressão social.

A incontinência urinária é mais comum em mulheres, por uma questão anatômica. A uretra feminina – canal que conecta a bexiga ao meio externo, tem de 3 a 4 centímetros, enquanto a do homem tem de 18 a 20 centímetros. “Anatomicamente, é mais fácil a mulher apresentar perda de urina, porque a uretra é mais curta”. Outros fatores, ao longo da vida, também podem predispor à ocorrência de incontinência urinária em mulheres. É o caso de gestações e partos que muitas vezes alteram os ligamentos que deveriam manter a uretra na posição correta, e da menopausa, que pode influenciar a incidência e prevalência da doença nas mulheres.

O primeiro passo para as pessoas que sofrem da doença, independentemente do gênero ou da idade, é  procurar ajuda médica. Segundo Averbeck, a crença de que a incontinência urinária é algo normal, que acontece com o envelhecimento, faz as pessoas deixarem de buscar tratamento precocemente. Outro fator inibidor é o constrangimento em falar do assunto, que leva as pessoas a procurar ajuda tardiamente, quando as chances de cura são menores.

Há três tipos de incontinência urinária: a de esforço, quando há perda de urina ao tossir, rir ou fazer exercícios; a de urgência, também chamada síndrome da fechadura, quando ocorre uma súbita vontade de urinar e não se consegue chegar a tempo ao banheiro, e a  mista, que é a associação dos dois tipos anteriores.

O médico explicou que a síndrome da fechadura é a situação de bexiga hiperativa que se contrai involuntariamente, quando não deveria se contrair. Estima-se que 18% da população adulta brasileira sofre de bexiga hiperativa. Já na incontinência urinária mista “pode ser necessário um tratamento mais abrangente”, ressaltou.

Em qualquer tipo de incontinência urinária em homens e mulheres, o tratamento inicial consiste em exercícios para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico, que é importante para o controle da micção. Deve-se contrair o assoalho pélvico durante 10 segundos e manter 10 segundos de relaxamento em seguida. O movimento deve ser repetido dez vezes por sessão, pelo menos três vezes ao dia, recomenda Averbeck. “Existe uma chance boa de que a incontinência se reduza e que haja uma boa resposta clínica ao fortalecimento desses músculos.”

Para o tipo de incontinência por esforço, existe a cirurgia para implante de esfíncter urinário artificial. No ano passado, esse procedimento entrou no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para pacientes com planos de saúde, beneficiando homens portadores da doença, após cirurgia para remoção da próstata, em tratamentos de câncer. A incontinência acomete de 5% a 10% de homens que extraem a próstata.

Alana Gandra - Agência Brasil