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Moradia comunitária une idosos

Categoria: Variedades
on 11 Dezembro 2014

Imagine uma turma de cabelos brancos que faz de um imóvel uma espécie de república da terceira idade, onde a experiência de vida é o motor para a construção de um verdadeiro lar.

É neste espaço que, juntos, os veteranos moradores superam desafios do cotidiano e experimentam o real significado de qualidade de vida. Parece utopia? Saiba que a moradia compartilhada entre idosos é um conceito cada vez mais comum. Fora do Brasil, por enquanto.

A proposta é alternativa às casas de repouso e, é claro, não se aplica a públicos heterogêneos e com interesses conflitantes. É preciso haver parceria, amizade e cumplicidade para a ideia dar certo. Vem da Europa, mais particularmente da Alemanha, o exemplo de que é possível utilizar esses espaços como fuga da solidão e como oportunidade de interação social, sem perder a privacidade.

Entre os germânicos, a escolha pelo apartamento comunitário está em ascensão. Pessoas próximas e com objetivos comuns, adaptam o espaço às suas necessidades. São quatro, cinco, seis idosos, cada um com seu cantinho, mas muitas atividades em comum, oferecendo momentos de lazer, diversão e de convivência harmoniosa.

Como as diferenças culturais entre europeus e brasileiros, é natural que o modelo praticado do outro lado do Atlântico pareça difícil de ser aplicado por aqui. No entanto, já há iniciativas que mostram o contrário.

Um exemplo atende pelo nome de Associação Solar do Professor Gaúcho (ASPG). Em uma propriedade rural no bairro de Lomba Grande, em Novo Hamburgo, pessoas que fizeram sua carreira em prol da educação encontraram um espaço de moradia. 

Já aposentados, professores e demais funcionários de escolas do Estado, em qualquer nível, desfrutam de um conceito diferente, mas que não se pode classificar como novo. Afinal, a entidade foi fundada em 7 de novembro de 1972, ou seja, há 42 anos. Atualmente, possui 2.500 associados.

No bairro rural, está localizada a chamada sede residencial, já que a administrativa fica em Porto Alegre. E a área é bastante generosa e contemplativa: são 13 hectares que desfrutam da natureza em zona urbanizada e de fácil acesso, com horta, pomar, jardim e galpão social com churrasqueira - um ambiente para receber amigos e familiares.

O condomínio é composto por casas independentes, todas elas com segurança (alarme e ronda noturna). Também um caseiro possui residência fixa no espaço. Além disso, cada morador tem seu próprio apartamento mobiliado a seu gosto e luz e telefone próprios.

A moradia é garantida por tempo indeterminado, mas o morador deve ter autonomia total, sem acompanhante. A ideia é ver o local não como uma geriatria. Ou seja, quando o idoso não puder mais se autogerir, deve se afastar, abrindo uma vaga. Sempre que isto ocorre, outro sócio inscrito ocupa o espaço.

Para fazer parte do condomínio, é preciso procurar a sede administrativa para se inscrever. Conforme a vaga disponibilizada, ele poderá residir com seus cônjuges. A única regra geral é que não são permitidos animais de estimação. Já o custo para residir é de 10% do salário bruto do servidor.